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II Feira Nacional da Reforma Agrária

Com a teia da agroecologia unida por uma soberania alimentar, todos os consumidores são atraídos


Uma feira que cresce a cada edição (e esta é apenas a segunda), apontando novas perspectivas para a integração entre agricultores da reforma agrária, neo rurais e consumidores de diversas classes. Atraindo mais de 170 mil pessoas, a II Feira Nacional da Reforma Agraria ocorreu entre os dias 4 e 7 de maio de 2017 no Parque da Água Branca em São Paulo.


Oportunidade de encontros com lideranças, ícones nos movimentos de agroecologia e principalmente do contato direto com os verdadeiros produtores e geradores de alimentos orgânicos deste país. Mostrando que a luta pela reforma agrária esta diretamente atrelada a uma necessidade e busca de alimentação saudável.


Multiplica! esteve presente oferecendo variedades crioulas para novos e antigos guardiões.


Produtos, mudas, sementes, pratos típicos, medicinas naturais e curiosidades do campo e da natureza. Trazidos de todos os cantos do Brasil, apresentados por seus próprios produtores e mestres com carinho e motivação de quem vive no dia a dia esta troca com as plantas e o alimento, em louvor a mãe terra.


Conferências e palestras ministradas pelos agricultores empoderados das técnicas de manejo sustentável (como os Sistema Agroflorestais) que foram redescobertas e aprimoradas a partir de estudos de seu próprio conhecimento ancestral, desde sempre utilizados de forma intuitiva no campo dentro da agricultura familiar e anteriormente nas comunidades tradicionais.

Pinhão não se colhe verde

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Atenção para a época correta de colheita!
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Foto: Rita Barreto

Uma prática ainda muito comum hoje em dia é a derrubada antecipada (março/abril) de pinhas imaturas para comercialização,  sem permitir a dispersão natural das sementes.
O repovoamento das Araucárias está bastante comprometido pela extração inconsciente de pinhão e madeira.

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Foto: Epagri

Resta pouco (1 a 2%) do que um dia foi a maior floresta do sul do Brasil.
Sua origem remonta a mais de 200 milhões de anos, quando sua população se disseminava pelo Nordeste brasileiro.
A Araucária [Araucaria angustifolia] é a espécie arbórea dominante da Floresta das araucárias [ombrófila mista], ocorrendo majoritariamente na região Sul do Brasil.
Hoje existe um grande risco de extinção da espécie, sendo esta, primordial para a conservação da floresta de araucárias.

 

infográfico: Vania Pierozan
infográfico: Vania Pierozan

A maturação da pinha e queda natural, que ocorre a partir do dia 15 de abril, é fundamental para a dispersão das sementes que alimentam a fauna no inverno, possibilitando a dispersão das sementes pelos mesmos, sendo assim possível a germinação e proliferação desta espécie. É recomendado ainda  que o início da colheita do pinhão seja a partir de maio, já que as sementes iniciam a dispersão e vão caindo pouco a pouco, permitindo assim que muitas possam “se perder” na terra antes da queda da pinha.

Antes do dia 15 de abril, colher ou comprar pinhão prejudica as Araucárias.

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Foto do início: reprodução/ Blog Araucárias e Campos
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arauc%C3%A1ria
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/grito-floresta-araucarias-613686.shtml

Casas subterrâneas do povo Kaingang

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Os kaingang, uma das 305 atuais etnias do Brasil, já habitavam o Planalto Meridional Brasileiro três mil anos antes da chegada dos europeus. Estes povos eram conhecidos como Proto-Kaingang, povos da Tradição Taquara ou Povo das Casas Subterrâneas.

Screen Shot 2016-03-21 at 2.49.01 PMA arqueologia do sul do Brasil tem dado atenção, desde a década de 60, a um tipo muito especial de antiga ocupação humana encontrada em muitos pontos de planalto nos estados de São Paulo, Paraná e, principalmente, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de alguns achados semelhantes próximos ao litoral, no sul de Santa Catarina.

Para se proteger do inverno rigoroso que castiga as elevadas regiões do Sul do Brasil, chamados Campos de Cima da Serra, construíam suas casas de forma enterrada, mantendo-as, assim, protegidas dos ventos fortes e gelados que cortam o planalto.

img4Por vezes, as paredes eram compactadas com argila mais fina, resultando em uma camada de revestimento. O teto era apoiado sobre estacas: uma estaca principal no centro, que descia até o chão da casa, e estacas laterais, que irradiavam do mastro central e se apoiavam na superfície do solo, na parte externa. Este teto ficava pouco acima do nível do terreno, garantindo ventilação, iluminação e trânsito.

Screen Shot 2016-02-18 at 9.46.07 PMTrata-se de verdadeiras casas circulares, escavadas na terra: em alguns casos, em

rocha basáltica, em outros, em basalto composto ou rocha mole de arenito. Suas dimensões são variáveis; os registros mais importantes revelam estruturas com tamanhos médios entre 2 e 13 metros de diâmetro com profundidade média de 2,5 a 5 metros de altura, havendo casos registrados de 4 e até 6 metros de profundidade. Segundo a descrição de vários pesquisadores, com base nas casas melhor conservadas, sobre a cova circular que delimitava a casa, erguia-se uma cobertura de folhas sustentada em uma armação de madeira, em parte fixada na base da casa, e em parte fixada nas bordas laterais da cova, inclusive com o auxílio de pedras.

Em algumas casas os arqueólogos mencionam ter encontrado um revestimento de piso e, em outras, revestimento em pedra nas paredes ou parte delas.
Ainda que, em um número significativo de sítios arqueológicos se encontrem casas subterrâneas isoladas, é comum encontrar-se conjuntos dessas casas, seja formando
pares, seja formando verdadeiras aldeias de mais de 5 casas, sendo vários os

agrupamentos entre 8 e 10 delas, e havendo, mesmo, casos de mais de 20 casas em um mesmo lugar. O espaçamento entre essas casas varia de 1 a 10 metros, em média.

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Ainda que alguns arqueólogos tenham sugerido que as casas subterrâneas não teriam sido, de fato, casas de habitação, mas apenas centros cerimoniais, a posição mais comum e sustentável indica que realmente essas estruturas eram a residências dos grupos humanos que as construíram. O arqueólogo André Prous também descarta a hipótese de que as casas maiores fossem apenas centros cerimoniais, enquanto as menores seriam de moradia, uma vez que, com freqüência, as casas maiores ocorrem isoladas ou estão presentes justamente nos menores conjuntos de casas subterrâneas.
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É importante, porém, observar-se a época em que as casas subterrâneas foram construídas e habitadas, para pensarmos na relação delas com outras formas de habitação antigas dos Kaingang. A arqueologia brasileira tem relacionado as casas subterrâneas com o que convencionou chamar de “tradição Taquara-Itararé”. Segundo Prous, para essa tradição “até há pouco, as datações mais antigas eram

exclusivamente do Rio Grande do Sul, entre o primeiro e o sexto século de nossa era.

Várias outras obtidas para o mesmo estado, Argentina e Paraná eram do século XIV, e duas do início do período histórico. Recentemente, datações de 475 AD (fase Candoi) e 500 AD na Argentina vieram mostrar que a cultura das casas subterrâneas desenvolveu-se em diversas regiões, grosso modo, na mesma época, e não se pode descartar a possibilidade de aparecerem, com as novas pesquisas, datações tão antigas quanto a, isolada por enquanto, de 140 AD para a fase Guatambu, cujo término foi datado de 1790 AD”.

Bioconstrução para aprender e aprofundar

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Uma ótima cartilha do IAB para qualquer pessoa que queira aprofundar seus conhecimentos acerca da bioconstrução e também para quem deseja iniciar uma obra sustentável e não sabe por onde começar. Além de ter menos impactos ambientais, este tipo de construção custa muito menos do que as tradicionais.

Técnicas de bioconstrução de forma didática e bem ilustrada. Recomendado!
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Baixe aqui

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Impactos dos agrotóxicos na saúde

“A obrigação de suportar nos dá o direito de saber” (Jean Rostand)

Leitura fundamental pela vida da sua família e do planeta, o dossiê da ABRASCO na campanha contra os agrotóxicos
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Baixe: Dossie Abrasco 2015

A dúvida é se a civilização pode
mesmo travar esta guerra contra
a vida sem se destruir e sem perder
o direito de se chamar de civilizada.
Rachel Carson
Primavera Silenciosa, 1962

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Ciência e religião, lado a lado pela cura do planeta

O físico Fritjof Capra e o Papa Francisco dialogam em seus discursos quando dizem que a educação ambiental é responsabilidade de todos nós e disso depende a sobrevivência da humanidade.

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Em tempos de terceira guerra mundial, as discórdias por religião e disputas por poder estão levando a uma cegueira generalizada na exploração de recursos, onde o crescimento econômico que leva ao suposto progresso vai deixando uma pegada tão grande e em tão pouco tempo, que já todos os limites máximos de exploração do planeta estão sendo alcançados.

ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA

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foto: Revista Ecológica

No Congresso Internacional de Sustentabilidade para Pequenos Negócios (Ciclos), realizado em julho de 2015 em Cuiabá, no Mato Grosso, o PhD em física e escritor austríaco Fritjof Capra fala sobre um “pensamento sistêmico”, baseado na interdependência dos sistemas vivos, no qual ele inclui as sociedades urbanas e os ecossistemas.

Segundo Capra: “Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica”, destacou o físico. Ser ecologicamente alfabetizado (ecoliterate) significa entender os princípios básicos da ecologia que os ecossistemas desenvolveram para manter a ‘teia da vida’. O grande desafio de nossa época é construir e nutrir comunidades sustentáveis. Os maiores problemas de nossa era: mudanças climáticas, pobreza, energia, água, estão conectados, são interdependentes. Suas soluções também”.

A fim de reverter o quadro atual do planeta, deve haver uma mudança de paradigmas, baseada em um “todo integrado”, tal qual um conjunto de sistemas interconectados, ao invés de uma coleção de partes dissociadas, diz o físico.

A menção e elogio de Capra à recente Encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”) do Papa Francisco, a primeira feita por um papa sobre questões ambientais, mostra esta sincronicidade de um “consenso científico muito consistente”.

O Papa afirma que é necessário ‘redefinir nossa visão de progresso’. Nem todo crescimento é bom, pois pode, por exemplo, se valer de exploração excessiva de recursos naturais, combustíveis fósseis e desigualdade de renda”. Na concepção de Capra, o Papa Francisco reconheceu a interdependência da natureza em sua Encíclica, “mas nossos políticos não conseguem conectar os pontos”.

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O físico, escritor e ativista ambiental ainda observou que um mundo mais sustentável passa por investimentos na agroecologia, arquitetura sustentável e energias renováveis.

NOSSA CASA COMUM
A mensagem central da encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”), a primeira do papado de Francisco produzida integralmente por ele, é uma frase repetida três vezes ao longo de suas mais de 190 páginas: “tudo está conectado”. O ser humano não está dissociado da Terra ou da natureza, eles são partes de um mesmo todo. Portanto, destruir a natureza equivale a destruir o homem. E destruir o homem, para os católicos, é pecado. Da mesma forma, não é possível falar em proteção ambiental sem que esta envolva também a proteção ao ser humano, em especial os mais pobres e vulneráveis.

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foto: EcoD

Esse raciocínio, que o papa chama de “ecologia integral”, permeia toda a construção da carta encíclica, tanto do ponto de vista da argumentação religiosa quanto das prescrições políticas – que Francisco faz num nível de detalhe assombroso, como quando critica a incapacidade das conferências internacionais de responder à crise climática, sugere uma saída gradual dos combustíveis fósseis e até mesmo propõe mudanças no modelo atual de licenciamento ambiental.

DSC_8109“A relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do paradigma que deriva da tecnologia, a busca de outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a grave responsabilidade da política, a cultura do descartável e a proposta de um novo estilo de vida são os eixos desta encíclica, inspirada na sensibilidade ecológica de Francisco de Assis”

UM URGENTE APELO  À PRESERVAÇÃO DA TERRA E DA VIDA
Pouca coisa na agenda socioambiental parece ter escapado à análise de Sua Santidade: além do clima, Francisco pontifica sobre proteção dos oceanos, poluição da água, espécies ameaçadas, florestas e povos indígenas. Em relação a todos esses temas, as principais críticas recaem sobre os países ricos (a expressão “produção e consumo” aparece cinco vezes no texto), que são chamados a compensar os pobres pela degradação. Mas os países em desenvolvimento são também exortados a examinar o “superconsumo” de suas classes abastadas e a não repetir a história dos ricos durante seu desenvolvimento.
Em vários pontos da encíclica o papa entra “con gioia”, como dizem os italianos, em campos minados. Defende abertamente, por exemplo, uma ideia ainda maldita nos círculos econômicos, a de que as sociedades abastadas precisarão “decrescer” para que haja recursos para os pobres se desenvolverem.

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Em sua palestra Fritjof Capra fala de princípios ecológios básicos que se repetem de várias formas, mas dificilmente se aplicam. Afirma que uma comunidade sustentável tem de ser projetada de uma forma que não interfira na maneira natural de como a natureza sustenta a vida. A agricultura orgânica significa contribuir na luta contra as mudanças climáticas, pois o solo é rico em substâncias vivas e os alimentos orgânicos têm efeito positivo na saúde das pessoas.

A alfabetização ecológica tem que se tornar uma competência crítica para políticos, empresários, indústria, universidade, todos os níveis. É preciso compreender os princípios básicos da ecologia e aplica-los.”

[fontes: Revista Ecológica,  EcoD, OC]