Ciência e religião, lado a lado pela cura do planeta

O físico Fritjof Capra e o Papa Francisco dialogam em seus discursos quando dizem que a educação ambiental é responsabilidade de todos nós e disso depende a sobrevivência da humanidade.

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Em tempos de terceira guerra mundial, as discórdias por religião e disputas por poder estão levando a uma cegueira generalizada na exploração de recursos, onde o crescimento econômico que leva ao suposto progresso vai deixando uma pegada tão grande e em tão pouco tempo, que já todos os limites máximos de exploração do planeta estão sendo alcançados.

ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA

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foto: Revista Ecológica

No Congresso Internacional de Sustentabilidade para Pequenos Negócios (Ciclos), realizado em julho de 2015 em Cuiabá, no Mato Grosso, o PhD em física e escritor austríaco Fritjof Capra fala sobre um “pensamento sistêmico”, baseado na interdependência dos sistemas vivos, no qual ele inclui as sociedades urbanas e os ecossistemas.

Segundo Capra: “Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica”, destacou o físico. Ser ecologicamente alfabetizado (ecoliterate) significa entender os princípios básicos da ecologia que os ecossistemas desenvolveram para manter a ‘teia da vida’. O grande desafio de nossa época é construir e nutrir comunidades sustentáveis. Os maiores problemas de nossa era: mudanças climáticas, pobreza, energia, água, estão conectados, são interdependentes. Suas soluções também”.

A fim de reverter o quadro atual do planeta, deve haver uma mudança de paradigmas, baseada em um “todo integrado”, tal qual um conjunto de sistemas interconectados, ao invés de uma coleção de partes dissociadas, diz o físico.

A menção e elogio de Capra à recente Encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”) do Papa Francisco, a primeira feita por um papa sobre questões ambientais, mostra esta sincronicidade de um “consenso científico muito consistente”.

O Papa afirma que é necessário ‘redefinir nossa visão de progresso’. Nem todo crescimento é bom, pois pode, por exemplo, se valer de exploração excessiva de recursos naturais, combustíveis fósseis e desigualdade de renda”. Na concepção de Capra, o Papa Francisco reconheceu a interdependência da natureza em sua Encíclica, “mas nossos políticos não conseguem conectar os pontos”.

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O físico, escritor e ativista ambiental ainda observou que um mundo mais sustentável passa por investimentos na agroecologia, arquitetura sustentável e energias renováveis.

NOSSA CASA COMUM
A mensagem central da encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”), a primeira do papado de Francisco produzida integralmente por ele, é uma frase repetida três vezes ao longo de suas mais de 190 páginas: “tudo está conectado”. O ser humano não está dissociado da Terra ou da natureza, eles são partes de um mesmo todo. Portanto, destruir a natureza equivale a destruir o homem. E destruir o homem, para os católicos, é pecado. Da mesma forma, não é possível falar em proteção ambiental sem que esta envolva também a proteção ao ser humano, em especial os mais pobres e vulneráveis.

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foto: EcoD

Esse raciocínio, que o papa chama de “ecologia integral”, permeia toda a construção da carta encíclica, tanto do ponto de vista da argumentação religiosa quanto das prescrições políticas – que Francisco faz num nível de detalhe assombroso, como quando critica a incapacidade das conferências internacionais de responder à crise climática, sugere uma saída gradual dos combustíveis fósseis e até mesmo propõe mudanças no modelo atual de licenciamento ambiental.

DSC_8109“A relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do paradigma que deriva da tecnologia, a busca de outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a grave responsabilidade da política, a cultura do descartável e a proposta de um novo estilo de vida são os eixos desta encíclica, inspirada na sensibilidade ecológica de Francisco de Assis”

UM URGENTE APELO  À PRESERVAÇÃO DA TERRA E DA VIDA
Pouca coisa na agenda socioambiental parece ter escapado à análise de Sua Santidade: além do clima, Francisco pontifica sobre proteção dos oceanos, poluição da água, espécies ameaçadas, florestas e povos indígenas. Em relação a todos esses temas, as principais críticas recaem sobre os países ricos (a expressão “produção e consumo” aparece cinco vezes no texto), que são chamados a compensar os pobres pela degradação. Mas os países em desenvolvimento são também exortados a examinar o “superconsumo” de suas classes abastadas e a não repetir a história dos ricos durante seu desenvolvimento.
Em vários pontos da encíclica o papa entra “con gioia”, como dizem os italianos, em campos minados. Defende abertamente, por exemplo, uma ideia ainda maldita nos círculos econômicos, a de que as sociedades abastadas precisarão “decrescer” para que haja recursos para os pobres se desenvolverem.

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Em sua palestra Fritjof Capra fala de princípios ecológios básicos que se repetem de várias formas, mas dificilmente se aplicam. Afirma que uma comunidade sustentável tem de ser projetada de uma forma que não interfira na maneira natural de como a natureza sustenta a vida. A agricultura orgânica significa contribuir na luta contra as mudanças climáticas, pois o solo é rico em substâncias vivas e os alimentos orgânicos têm efeito positivo na saúde das pessoas.

A alfabetização ecológica tem que se tornar uma competência crítica para políticos, empresários, indústria, universidade, todos os níveis. É preciso compreender os princípios básicos da ecologia e aplica-los.”

[fontes: Revista Ecológica,  EcoD, OC]

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