Integração

Para nossa proposta de integração, definimos três personagens que estão relacionados com a sabedoria e com as sementes, inspirados no perfil das pessoas que encontramos no decorrer da caminhada:

Os velhos sábios da terra possuem as sementes naturais que todos precisamos para manter nossa autonomia e a biodiversidade, muitas destas sementes estão sendo perdidas pela intensa pressão da indústria com seus híbridos e transgênicos, e por falta de opção alguns agricultores terminam deixando suas variedades tradicionais. Os novos guardiões estão entrando há pouco tempo na zona rural, com toda a vitalidade e consciência. Eles tem informação e conhecimento, mas precisam encontrar as sementes da liberdade que estão quase extintas para multiplicar. Os semeadores viajam de um canto a outro resgatando e doando sementes para a multiplicação, nomeando assim guardiões responsáveis para manter as genéticas milenares.

Atualmente já são muitos os centros de agroecologia e novos sítios com propostas sustentáveis que se instalam em zonas rurais do país. Muitos surgem da intenção de preservação do meio ambiente ou da proposta entre amigos de viver em comunidade e se auto sustentar através da cooperação em comunhão com a natureza.
Muitas pessoas nestas comunidades têm grande conhecimento de permacultura, agrofloresta, bioconstrução, energias renováveis, saneamento ecológico, captação de água, economia sustentável, etc., e já vêm aplicando estes conhecimentos. Também conhecidos como Novos Rurais, chamamos: “Os novos guardiões da terra”.

Por outro lado, bem diferentes destes centros de sustentabilidade, existem muitas comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ribeirinhas, etc.), antigos povos que vivem resistindo no campo, intrínseco em sua cultura há um conhecimento prático secular de como viver da terra, colaborando e respeitando a natureza para o bem da comunidade como um todo. Em geral, observamos nessas comunidades a prática de preservar e conservar sementes crioulas para seus plantios que vem sendo cada vez mais ameaçada pelo mercado e sua produtividade. A estes guerreiros chamamos: “Os velhos sábios da terra”.

A partir desta análise e vivências nestes lugares, percebemos que estes novos guardiões “nascidos” das ecovilas, assim como todas as pessoas que iniciaram uma busca em viver da terra, podem aprender muito com os velhos sábios, através de suas práticas tradicionais e intuitivas, além do conhecimento das sementes crioulas.
Por outro lado, as comunidades tradicionais e pequenos agricultores podem aprender muito com estes novos centros e suprir algumas de suas necessidades mais imediatas, através de novas e aperfeiçoadas técnicas. Esta integração é fundamental. Aos caminhantes que contribuem para formar este elo entre a sabedoria antiga e a nova consciência chamamos: “Os semeadores”.