Sítio Santa Bárbara

Retorno a um lugar inspirador, Sitio Santa Bárbara, orgânicos com amor

Sítio Santa Bárbara (Magé, RJ)

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O início de nossa caminhada prévia a este trabalho com o resgate das sementes naturais nos levou a conhecer uma guardiã de sementes e de iniciativas muito especial, Juliana Diniz, proprietária do Sítio Santa Bárbara, no distrito de Magé, RJ. Um ano depois, retornamos para visitar e fomos recebidos com o mesmo carinho e entusiasmo característico desta senhora que respira agroecologia.

Orgulhosa mostra a terra preta do minhocário
Orgulhosa mostra a terra preta do minhocário

Dona Juliana foi uma das protagonistas do filme que lançou o projeto Multiplica! e é a autora da frase: “A coisa mais importante, a maior riqueza do agricultor é a sua semente”.

Foi lindo poder voltar, depois de tanto tempo, ao sítio onde estivemos plantando e registrando o conhecimento desta sábia agricultora em sua diversidade de quase 100 espécies de frutíferas além de diversos outros cultivos que enriquecem sua propriedade.

O milho crioulo que Juliana perdeu, pudemos trazer de volta
O milho crioulo que Juliana perdeu, pudemos trazer de volta

A importância de Dona Juliana para o projeto Multiplica! está marcada pelas sementes que nos doou quando estávamos iniciando o banco de sementes móvel, foram os primeiros milhos e favas crioulos que nos incentivaram a seguir resgatando. Durante a troca de sementes que fizemos nesta visita tivemos o prazer de receber mais um pouquinho da nova safra de algumas variedades e a satisfação de poder devolver sementes de uma variedade de milho sua que havia perdido este ano.

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Estivemos conversando sobre a realidade dos agricultores que buscam a certificação de produtos orgânicos para ter acesso a uma via de distribuição mais eficiente, visto que sem esta não tem aceitação dos mercados. Dona Ju nos conta como foi sua conquista do selo recebido há pouco tempo, pois desde 2013 vem lutando diariamente com o cumprimento das normas, que muito além da forma de produção sem agrotóxicos (que já é a prática natural no sítio), vem exigindo medidas burocráticas e de estrutura em sua cozinha, já que trabalha com subprodutos como as farinhas e geléias.

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Guerreira no trabalho com a terra e nas articulações políticas, Dona Juliana participa nas ações da AS-PTA e está  sempre envolvida nas iniciativas da rede de agroecologia. Recebe visitas dos agricultores e estudantes da região para reuniões e mutirões, pois acredita na consciência coletiva. Para ela, a agroecologia só funciona com o trabalho em grupo. Há momentos em que sente-se muito sozinha, diz que o cultivo orgânico necessita cooperação de todos para que sua produção limpa não seja contaminada com o agrotóxico utilizado no seu vizinho.

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Posição coerente ao ver que o oposto de uma monocultura que utiliza um formato de trabalho quase individual, operado por máquinas e com o rendimento centralizado na mão de um (ou muito poucos) necessite práticas mais coletivas e colaborativas, não apenas na integração da biodiversidade nos sistemas de plantío mas também na integração social. Considerando a extinção da auto organização da sociedade, definido por Vandana Shiva como “Monoculturas da Mente”.

Estamos emanando energia positiva para que Juliana Diniz possa crescer e alcançar o máximo possível de consumidores com suas incríveis geléias, deliciosos doces de banana e diversas farinhas medicinais.
A luta de Juliana Diniz é um exemplo para a agricultura familiar, mostrando que é possível plantar de forma agroecológica, criar subprodutos de qualidade e inserir-se no mercado, além de manter a autonomia, sempre mulitiplicando as sementes naturais.

Para conhecer ou trabalhar de voluntário no sítio entre em contato com a Juju.